Academia Mato-Grossense de Ciências Contábeis

Cadeira nº 28

 CRCMT 0001-O

LOCAL DE NASCIMENTO: DIAMANTINO – MT, aos 28 de setembro de 1906; faleceu em 1972, com 66 anos de idade.
PAIS: APOLONIO SABO DE OLIVEIRA e CRESCENCIA BARROS DE OLIVEIRA
CASADO COM: DONATILA DE SOUZA E OLIVEIRA
FILHOS: MARIA DE LOURDES OLIVEIRA DA CUNHA, MAIZA SABO DE OLIVEIRA , MAURO SABO DE OLIVEIRA, HELIO SABO DE OLIVEIRA, HILTON SABO DE OLIVEIRA.

Com o falecimento de seu pai quando Clóvis tinha onze anos de idade, este veio trabalhar em Cuiabá para ajudar a mãe e os oito irmãos. Já havia estudado até o quarto ano do ensino fundamental e frequentado aulas de música, tanto é que tocava flauta muito bem. O seu primeiro emprego foi na Casa Orlando como faxineiro. E ainda, como ele mesmo dizia, “roçava um terreno do outro lado do Córrego da Prainha, batendo o facão”.

Porém, ávido pelo saber, sempre que lhe sobrava um tempinho ficava a observar a escrituração contábil do guarda-livros da firma, e como possuía boa caligrafia, passou a auxiliar o mesmo. Com as poucas economias que lhe sobravam, começou a sua Biblioteca comprando livros de Escrituração Contábil, Português, Matemática e outros. A sua primeira estante foi de caixotes de madeira que ele mesmo montou, na República onde morava com os amigos e dividia as despesas de aluguel. Os anos foram passando e o entusiasmo do autodidata aumentava a olhos vistos.

Com a aposentadoria do guarda-livros da Casa Orlando, Clóvis, que à época contava com no máximo dezoito anos, sem ter frequentado escola, assume com muita reponsabilidade e categoria o cargo de guarda-livros. Através do Decreto nº 14.373, de 28/12/1943, recebeu a titulação de guarda-livros, diplomado em 31 de dezembro de 1932, tendo-lhe sido concedido o direito de assinar balanços, balancetes e outros documentos importantes.

Com a instalação do Conselho Regional de Contabilidade, presidido pelo douto contador Aecim Tocantins, foi concedido a Clovis Sabo de Oliveira a carteira provisionada nº 1 como guarda-livros. Era o mesmo de uma honestidade, humildade, postura e dignidade impressionantes. Em seu escritório modesto, porém muito organizado, fazia até a madrugada a escrituração contábil de várias empresas, dentre elas, Agência Chevrolet, de Candia & CIA, Irmãos Affi, Casa Maria Metelo em Várzea Grande, etc.

Foi Contador Geral da Caixa Econômica e Diretor Financeiro da CASEMAT, exercendo com brilhantismo e dedicação todas as funções para as quais foi convidado. Era muito procurado pelos alunos do Curso Técnico de Contabilidade para esclarecimentos práticos da escrituração. O ilustre jornalista Eugenio de Carvalho, que também foi um de seus alunos, escreveu um artigo no jornal com o seguinte título: “O contador sem diploma que foi mestre”. Foi Vogal, representante dos Empregados na Junta de Conciliação e Julgamento de Cuiabá/MT, objeto do Decreto-lei nº 2.874, de 14 de dezembro de 1940 e conforme Processo MTIC nº 28.758-41, publicado no Diário Oficial de 28 de abril de 1941, ratificado no Diário Oficial de 3 de maio de 1941 e no Diário Oficial de 23 de outubro de 1941.

Em 14 de novembro de 2015, o Contador Aecim Tocantins, apresentou o seguinte relato: Era uma pessoa extremamente desprendida. Prova disso é a de que quando, da sua habilitação profissional, optou pelo título de Guarda-livros provisionado, quando pela Legislação do Ensino Comercial à época poderia ter optado pela provisão de Contador, pois os seus conhecimentos assim o habilitava.

Era profundo conhecedor das Ciências Contábeis e, principalmente, de seu exercício prático. Vários profissionais habilitados pelas Faculdades Superiores de Ensino recorriam aos seus conhecimentos quando do início da Profissão. Disso dá testemunho o então: jovem Contador Aecim Tocantins. A sua simplicidade era tão grande que sempre renunciou aos convites que lhes eram feitos para o desempenho de cargos de alta representação da Classe Profissional Contábil. Preferiu sempre ser o exímio Guarda-livros.

Numa prova de reconhecimento aos seus elevados méritos de Profissional a Diretoria do Conselho Regional de Contabilidade de Mato Grosso, quando de sua instalação, houve por bem conceder-lhe o registro profissional nº 1. Foi um dos fundadores do CRCMT.